terça-feira, 13 de outubro de 2015

Tudo é passageiro

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Acordei ao som do despertador. Isso indicava que era segunda-feira, mais um dia chato e cheio de preocupações. Sentei na beirada da cama, olhei para a janela embaçada do meu quarto, chovia lá fora. E pensei retrospectivamente no dia anterior. Depois de alguns minutos pensando, levantei e fiz o que tinha que fazer, tomei banho e me vesti o mais rápido possível para não me atrasar para faculdade. Tranquei a porta e escondi a chave de baixo do tapete e desci as escadas andando ligeiramente. 
Ao chegar no ponto avistei ao longe meu ônibus se aproximando. Sinalizei e subi, depois sentei e coloquei meus fones de ouvido escutando "Another Love". Sabendo que a viagem duraria 1h tirei da minha mochila o livro que estava lendo a alguns dias, "1894". E me concentrei na leitura durante bom tempo.
Ouvi uma voz  falando abafada pela musica, então senti uma mão no meu ombro e virei-me do banco para o lado. Em minha frente um homem pedia licença para sentar-se ao meu lado, eu fiz  que sim na mesma hora e ele agradeceu com um sorriso. No mesmo instante fiquei admirando seus dentes, o quão bonito que eram, brancos como neve. Combinando com seus lábios finos e delicados que não deixei de perceber. Também tinha uma barba rala bem feita, que combinava com os óculos quadrados que usava, dando-lhe uma aparência séria e misteriosa. 
Depois de alguns minutos incomodantes de silêncio ao lado dele, enfim veio uma pergunta que quebrou todo aquele nervoso. Perguntava-me qual era o livro que eu estava lendo. Respondi sem falar mais nada. Pude só agora escutar sua voz com clareza, era grossa e doce ao mesmo tempo. Enquanto ele acenava com a cabeça sorrindo. Alguns segundos de silêncio. Outra pergunta, perguntava que música eu escutava, respondi "Same Love - Macklemore" e ele retrucou soltando mais um sorriso apaixonante que adorava a música. Diante disso eu fiz a coisa que ele mais havia feito desde que subira no ônibus. Eu sorri.
Ficamos conversando sobre músicas no começo, depois sobre séries que acompanhávamos e após minutos de conversa, começamos a falar sobre nós. Ele me falou que morava em outro estado e que estava apenas de passagem pela cidade. Sobre como estava complicada a sua relação com seus familiares. E de como a vida lhe era injusta. Fiquei triste por saber de coisas que me dissera e lisonjeada ao mesmo tempo. Acabei por dizer também coisas profundas de mim para ele, um estranho. Larguei nele todas minhas mágoas que não conseguia a tempos falar para nenhum. Ele me escutou e aconselhou como um psicólogo.
De repente o ônibus parou e ele olhou para janela preocupado, se levantou apressadamente do banco falando que aquela era a sua parada. Me disse um obrigado corrido e descendo as escadas me olhou como de quem queria ter ficado. O ônibus deu partida e parado na calçada ele me olhou de novo e deu-me seu último sorriso.
Agora estava sentada sozinha no banco, só pensava em como aquele estranho havia me causado as mais fortes emoções em tão pouco tempo. Foi amor a primeira vista, pensei delirando. Me senti especial ao lado dele e senti que ele também se sentia especial. Por que ele desceu do ônibus? Por que não ficou ali comigo? Mas o que mais me atormentava era não saber o seu nome, percebi naquele momento que não havíamos perguntado o nome um do outro. COMO? Falamos sobre tudo e não demos conta de saber o nossos nomes. Uma raiva me consumiu, comecei lacrimejar com raiva de mim mesma. Não entendia nada, só queria descer daquele ônibus e esquecer tudo que vivenciei nele.
Cheguei em casa depois de um dia exaustivo, tomei banho e comi macarrão instantâneo como todas noites. O sono me invadia, hora de dormir. Deitada olhando para o teto comecei a lembrar do homem do ônibus, da sua fisionomia. Do seu sorriso principalmente. Das conversas e do que senti enquanto conversávamos. Senti falta dele, como se fosse alguém próximo. Pensei nas possibilidades de nos vermos novamente, mas sabia que não. Imaginei qual seria seu nome, talvez Marcos, ele parecia se chamar Marcos. Ri com vontade de chorar ao pensar pensar nisso tudo. Então fechei os olhos e pedi a Deus para que sonhasse com ele. E que no sonho pudéssemos continuar nossa conversa. Sem parada.

"Eu queria que esse amor também fosse passageiro" — Thawan M.




7 comentários:

  1. Posso falar uma coisa? Tu tem um talento do caramba!!! Poste muito mais textos por favor, eu adoraria ler ♥
    E saiba que agora eu tô apaixonada por essa ''Another Love'', que música linda!

    Tô te esperando lá no meu blog, ele ta de volta e de carinha nova :)
    http://andgarotainvisivel.blogspot.com.br/

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    1. Poxa, muitoooo obrigadooo♥♥
      Estarei postando sim mais textos meus. E com o seu pedido só aumentou minha vontade♥

      Obrigado pela visita!
      (:

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  2. Amei seu texto 💓 Me indrtifiquei demais. Escreve muito bem. Talento.

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  3. Amei seu texto 💓 Me indrtifiquei demais. Escreve muito bem. Talento.

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